quarta-feira, 31 de maio de 2017

MULHER DE 30: ESSA É A VIDA QUE VOCÊ QUER TER?


pra pensar um tiquinho...

E eis que, em plena quarta-feira de uma primavera que mais parece verão, venho aqui meter o dedo na ferida e cutucar a onça com vara curta com uma pergunta cabeluda dessas: “essa é a vida que você quer ter”?
Não que seja da minha conta o que você faz com sua vida, claro, mas resolvi escrever sobre isso depois do choque que tomei quando, conversando com meu grupo mais íntimo de amigas, percebi que quase todas estavam perdidas, insatisfeitas e sem saber como mudar isso. E fiquei triste, muito triste, de perceber que algumas, mesmo estando com buracos enormes dentro do peito, se acomodaram com isso e assumiram o “a vida é assim”.
Não, não é, ou, pra ser mais exata, não precisa (nem deve) ser!
O fato é que desde cedo nós somos “condicionadas” a cumprir papéis, e assim, seguindo um script determinado, vamos em frente, durante toda a vida, pra agradar aos pais, a família, os amigos e todos aqueles que criam expectativa em relação ao nosso futuro, às nossas escolhas e a vida que, acreditam eles, nós deveríamos ter.
E é seguindo esse roteirinho de mentira que, muitas vezes, depois de anos de insatisfação e frustração, nos olhamos no espelho e questionamos, já sabendo a resposta, se era essa a vida que nós queríamos ter. Não, não era, mas a gente mentiu tanto, pra nós e pros outros, que acabou acreditando que era aquilo mesmo que nós queríamos, e, pior, construímos uma vida inteira ao redor daquilo. E agora, depois de tudo pronto, o que podemos fazer?

Conhece essa historinha? Eu conheço, e conheço bem, porque ela já foi minha, e como disse lá no Face semana passada, é a história da maioria absoluta das minhas amigas, e, pelo que vi, das minhas leitoras também, que mandaram mensagens e e-mails emocionados falando que, em resumo, não faziam ideia do que estavam fazendo com  a própria vida.
Eu não tenho receitas, e o que tem funcionado pra mim pode não funcionar pra você, mas uma coisa é certa: ou você muda, e muda por você, ou vai continuar na zona de conforto, com um sorriso falso no rosto, jogando o resto da sua vida fora.
O que é preciso, e isso deveria ser ensinado desde muito cedo, é fazer o que se gosta, e isso não só em relação a profissão, mas a casamento, filhos e a forma como você quer levar a sua vida, e isso só você sabe, porque já está aí, dentro, mesmo que você não consiga ou não queira ver.
O problema é que, na grande maioria dos casos, o que a gente gosta não é exatamente o que a gente gostaria de gostar, o que garantiria uma vida segura, com status e “reconhecimento”, essas coisas tão essenciais no “mundo dos adultos”.
Pois é, minha gente,  nem todo mundo nasceu pra ser médico, advogado ou engenheiro, e a menos que você entenda e assuma isso pra si mesma,  é alta a probabilidade de passar toda a sua vida procurando coisas para preencher o vazio que tem aí dentro e gastando fortunas em compras e mais compras, entretenimento instantâneo e terapeutas diversos,  na esperança de, quem sabe, “entender” o que te deixa tão deprimido numa vida que tem tudo o que todo mundo poderia querer.
Muitos até conseguem entender qual é o “X” da questão, mas não sabem o que fazer com isso, afinal, como administrar “o X da questão” com  filhos, família,  responsabilidades e contas pra pagar? Ah, minha amiga, aí é uma questão de planejamento: primeiro a gente faz o que precisa fazer, pra só depois fazer o que quer fazer. Não é fácil não, eu bem sei disso, mas é simples, e com muito planejamento e disciplina, o que é mais difícil, a gente chega lá.
Só que,  em muitos casos, a questão é um pouco “mais embaixo”: muitos de nós são viciados em reconhecimento, além de acomodados e vaidosos demais pra meter as caras no desconhecido e encarar uma mudança. E é por isso que a maioria deixa seus sonhos escorrerem pelo ralo e continuam a viver uma vida mais ou menos.
E nem pense que eu estou dizendo que viver os próprios sonhos é fácil. Ao contrário, é muito, muito difícil, e o preço que se paga por isso é bem alto, como falei, aliás, nesse post aqui, e sim, na maioria dos casos as pessoas vão achar que você enlouqueceu e vão tentar te “parar”, mas sabe de uma coisa? O que os outros vão pensar só diz respeito a eles, e a opinião de ninguém vai preencher o buraco que tem aí dentro.
Portanto, o meu conselho, se é que posso dar, é um só: olhe pra dentro e responda, do fundo do coração, se essa é a vida que você realmente queria ter, e se não for comece a, de um jeito ou de outro, “recalcular a rota”, que é o mínimo que você pode fazer pela pessoa mais importante da sua vida, que é você mesma!

MULHER DE 30: E O CASÓRIO, HEIM?


Sempre achei divertido ver a cara de espanto das pessoas diante da minha resposta ao “E o casório, heim?”. É, acho que “não tenho interesse” não é exatamente o que se espera ouvir de uma mocinha de 32 anos.
Pois é, a verdade é que não tenho o menor interesse nessa história de casamento, e se tivesse sido bastante honesta comigo, como sou agora, saberia que esse interesse nunca existiu.
E não é medo, trauma nem nada do tipo, é só que o casamento nos moldes tradicionais, como uma instituição a ser preservada,  não se encaixa na minha vida, simples assim, o que não significa, claro, que eu seja contra o casamento. Sou super a favor, desde que não seja comigo rs

E sim, eu acredito nas relações e definharia sem amor, mas prefiro que não existam “amarras legais” e promessas futuras, porque não posso garantir que o meu sentimento será o mesmo daqui a 5 ou 10 anos, porque sim, as pessoas mudam e os sentimentos também, e não tem nada demais nisso.
Essa história de jurar o meu amor até que a morte “nos separe” me pega pelo pé, sabe? Morte de quê? A morte física ou a morte do amor, do respeito, do desejo de continuar juntos? Pode parecer besteira, mas prefiro prometer apenas o que possa cumprir…
E já que o casamento religioso não é uma opção, que tal o civil?
Não, de jeito nenhum rs! Quero que os meus vínculos sejam sempre emocionais, e não “legais”, porque  se um dia o amor acabar, quero no mesmo dia bater a porta sem ter nada que me prenda, e quero que a outra pessoa tenha a mesma liberdade.
Ah, e eu não sou virginiana e precavida, mas penso em tudo, inclusive no tanto que se perde num divórcio, e não tô falando (apenas) de dinheiro não, tô falando de perdas emocionais, de duas pessoas que já se amaram profundamente e passam a se destruir mutuamente… Isso dilacera a alma e, sim,  pode acontecer com qualquer um.
Também não me agrada a ideia de dividir o mesmo teto, todos os dias, com alguém que amo, porque nada, absolutamente nada, é tão nefasto pra uma relação como a rotina.
É raro que o amor acabe por algo “grande”. O que mata o amor são coisas pequenas que vão se acumulando,  é reclamar todos os dias da mesma coisa, é brigar por coisas pequenas, é “se acostumar” com o outro a ponto de não enxergá-lo mais

O amor morre em meio as milhões de concessões que a gente faz pra, inconscientemente, punir o outro depois. O amor morre quando as pessoas esquecem que são indivíduos, se anulam e colocam o casamento acima de todas as coisas… Porque não, o casamento não é o mais importante, o que é realmente importante é o amor, que é, pra mim, a única coisa que deveria “justificar” um casamento.
No mais, eu gosto de espaço, de ter tempo pra mim, de ficar em silêncio, e não quero abrir mão de nada disso, porque sei que pouco tempo depois começaria a sentir falta, a ficar ressentida e, de alguma forma, descontaria no outro.
Claro que isso é o que vale pra mim, pra minha forma de ver as coisas, e cada um tem o direito de pensar diferente e não ser criticado por isso, porque tudo depende do que você é, do que você quer, e o que importa é ser honesto consigo mesmo, apenas isso.
Não sei se a minha opinião será a mesma pra sempre, porque tudo muda o tempo todo, e isso é maravilhoso, porque significa que eu tô aberta pra experimentar, pra sair das minhas “certezas” e ver o mundo de muitas outras formas, como eu acho que tem que ser.
E como já sei que vocês vão perguntar o que namô acha de tudo isso, vou contar logo: ele é esperto e encontrou a solução perfeita! Nós compramos duas casas, uma ao lado da outra, e construímos uma ponte entre elas, bem no estilo Frida Kahlo, porque aí estamos perto, mas não perto demais ao ponto de sufocarmos um ao outro… Gostei da ideia!
No fim, é isso: o que vale é ser feliz, cada um do seu jeito, porque o amor, ahh o amor, sempre será maior que papéis, cerimônias, rótulos ou roteiros de qualquer tipo!

NÃO TER FILHOS TAMBÉM É UMA OPÇÃO



É engraçado como, quando a gente vai ficando mais velha, as pessoas, principalmente familiares e amigos, começam a cobrar determinadas coisas, como casar e ter filhos.
Mais engraçado ainda é quando a gente não tem a menor intenção de fazer nenhuma dessas coisas e a pessoa não entende que aquilo é uma escolha pessoal e não um script que todo mundo tem que seguir.
Eu nunca quis me casar (mas já fui noiva, porque contradição é meu sobrenome!) e nunca quis ter filho (um dia, quem sabe…), apesar de ser louca por crianças, e jamais me passou pela cabeça fazer qualquer uma dessas coisas simplesmente porque é o que se espera de mim ou porque é o que todo mundo faz.

 que “todo mundo faz” não me diz respeito e não significa que seja certo pra mim, porque o certo depende de cada pessoa, e o que é certo pra mim pode ser errado pra você e vice-versa.
A decisão de ter um filho é uma escolha que não deve ser influenciada por nada nem por ninguém. Trata-se da sua vida, e a sua vida tem que ser regida pelas suas escolhas, porque é você que vai arcar com cada uma delas  e ponto final.
Acho que as pessoas precisam abrir um pouco a cabeça e entender que cada pessoa tem um caminho, e que as possibilidades são múltiplas, de forma que nem todo mundo se encaixa no “casar e ter filhos”, e que isso não tem nada demais, pois é um direito de cada um, e, sendo assim, todo mundo tem que respeitar, concordando ou não.
É muito mais bonito a pessoa assumir pra si mesma que não quer, nesse momento ou “para sempre”, ter um filho do que ter pra seguir um roteiro, sem ter, em resumo, a menor estrutura mental, emocional, financeira ou familiar pra ser mãe.
Ter filhos é uma escolha que vai te acompanhar todos os dias da tua vida, para o resto da vida, então é bom que você esteja certa do que está fazendo, porque uma criança precisa de dedicação, de amor, de disciplina, de cuidado e de carinho, dentre muitas outras coisas.
Não vou falar da parte boa, porque essa a gente já sabe e é mesmo maravilhosa, mas a vida não é feita só de coisas boas… Aquele bebê lindo e rosadinho que, por muito tempo, precisará de cuidado 24 horas por dia vai crescer e fazer escolhas com as quais você não concorda. Ele vai cometer erros, ele vai te decepcionar, ele vai te deixar louca de preocupação quase todos os dias e mesmo assim você precisará estar emocionalmente equilibrada para amá-lo, apoiá-lo, defendê-lo, protegê-lo e oferecer seu colo, seu ombro, suas mãos…

ESPEITE, APENAS ISSO!

E você tem que saber que vai precisar renunciar a muitas coisas, porque cada escolha nessa vida é uma renúncia,  isso pode sim gerar frustrações, e você não pode jogar o peso das suas frustrações, que foram fruto de suas escolhas, nas costas dos seus filhos (isso é o que mais vejo acontecer…).
Filho é pra sempre, então só tenha se você estiver certa de que é “isso mesmo”, porque ser mãe não é “parir” e deixar pra babá criar. Ser mãe é mais, infinitamente mais do que isso, porque filho a gente tem por amor, não pra tapar buraco, pra seguir script,  por medo da solidão ou da velhice.
Assim como ter filhos é um ato de amor, não tê-los também é, porque significa que você, mesmo querendo, mesmo desejando, sabe que não pode, naquele momento, oferecer tudo o que uma criança quer, precisa e merece.
E isso precisa ser respeitado.

MUDE QUANTAS VEZES QUISER



MUDE QUANTAS VEZES QUISER

Não sei quando foi que ficou decretado que a gente tinha que ser, querer, fazer, sonhar ou desejar sempre a mesma coisa, como se a mudança não fosse uma constante na vida, mas o fato é que sempre que a gente tira uma peça do lugar as pessoas ao redor começam a questionar e, não raras vezes, mudam completamente a forma de nos tratar.
Eu, que sempre fui partidária das mudanças, e que mudo o tempo todo, consigo lidar com isso numa boa, mas não deixo de achar engraçado como isso impacta algumas pessoas, como se as nossas mudanças fossem um grito de guerra contra elas. E não, não são.
Você tem total liberdade pra mudar e escolher novamente quantas vezes achar que deve, e esse é um direito seu, diz respeito a você e a mais ninguém. Ninguém, porque até onde sei o seu compromisso principal, o mais importante, é com você mesma, com quem você é, com o que sua alma quer.
Já me disseram que isso é egoísta, que é cruel, mas, pra mim, a pior forma de crueldade é a que fazemos com nós mesmas quando tapamos os ouvidos para os anseios do nosso coração, quando vamos contra nós mesmas para manter o que não nos faz mais feliz, porque isso é escravidão.
É escravidão quando você mantém qualquer coisa que não queira mais por compromissos que você firmou lá atrás, como se você pudesse garantir que fosse continuar sempre a mesma e, assim, fosse desejar sempre o mesmo. Mas a gente faz isso o tempo todo, porque precisamos de estabilidade, precisamos de certezas, precisamos de garantias.
Porque é mais fácil se iludir e fingir que a vida não é instável, que muda o tempo todo, que mudamos o tempo todo. Porque é mais cômodo acreditar nas redomas que construímos pra manter o nosso mundinho protegido que encarar o fato de que não temos controle da grande maioria das coisas. Porque tudo isso é muito mais confortável que encarar as verdades que a gente deveria, mas não quer, ver.
Mas, se formos bastante sinceras e corajosas, veremos claramente que não dá pra garantir nada quando se trata de sonhos, desejos e vontades. Quando se trata de sentimentos. Porque a gente muda, a vida muda, o outro muda e, de repente, o que era deixa de ser.
E quando isso acontece você precisa ser honesta com você e com os outros, porque isso evita que todos sigam vivendo uma mentira. Porque você não tem que sacrificar a si mesma pra fazer ou manter ninguém feliz. Porque não é pra isso que você está aqui. Porque não é justo com você. Porque é desonesto com o outro. E com a vida.
É difícil, eu sei. E dói, dói muito. E assusta, dá medo, bagunça tudo, mas é a coisa mais bonita que você pode fazer com você, porque é a única forma de ser fiel a quem você realmente é, de construir a vida que você quer.